Estou devendo outras fichas literárias, acho que umas dez deste tumultuado ano de transição entre vir da capital para o interior, sair da inciativa privada e partir para a pública, o primeiro tratamento de uma doença auto-imune, o primeiro capotamento de carro e “pt” perda total do mesmo …
A leitura e a filosofia estou em débito, mas porém com a família e o trabalho estamos em dia. Se esforçando para não deixar ninguém na mão…
Bem, vamos ao que interessa sobre o livro : O minha vida de menina. Escolhi ler este livro para me aprofundar na história e cultura de Diamantina, já que me mudei para cá. Ao invés de visitar museus, que até hoje não os visitei, acho mais interessante conhecer a cultura local através do convívio com a pessoas e suas ideias, tradições , literatura… Os museus eu guardo para quando vier algum visitante aqui em casa mais interessado, até hoje já veio dois, mas infelizmente os museus estavam fechados em pleno feriado. Vais entender nosso país? Quero dizer que a mim particularmente só tenho dois que gostaria de visitar o do Diamante e a Casa da Chica.
Este livro é o relato da juventude, mais precisamente dos 13 aos 15 anos, de Alice Dayrell Caldeira Brant sob o pseudônimo de Helena Morley. Em cima deste livro foi feito o filme Vida de Menina , o qual eu recomendo assistir depois de ler o filme. Porque foi um verdadeiro tormento acabar de ler este livro, principalmente porque em minha mente vinha aquela vozinha da Ludmila Dayer toda vez em que lia ” Tia Madge me disse…” Passado o tormento, posso falar que este livro é um belo relato de infância , devidamente revisado após a fase adulta como é percebido com algumas opiniões inseridas que demonstram reflexões com um olhar adulto sobre fatos como posicionamento políticos e culturais.Mas esta polêmica em torno do livro eu deixo aos críticos literários, pois este não é meu propósito.
O livro demonstra a Diamantina do período recém república, conta histórias de personagens que são nomes de ruas , praças, cidadezinhas vizinhas e becos atuais. Elucida em muito o comportamento das pessoas da cidade, como influências da cultura de garimpo e principalmente da influência negra na cidade. Os mitos , simpatias e crendices populares são um singular relato em que Alice os trata como cotidianos e que as vezes percebemos ainda herança nos dias de hoje.
As experiências de uma adolescente crescida em uma cidade histórica e tradicional em plena crise econômica com o declínio da extração do Diamante é o que me fascinou neste relato. Suas observações sobre a cultura, o enraizamento dos hábitos e Costumes, sobre as expectativas das pessoas, suas prioridades, seus estilos de vida e expectativas são o que enriquecem este livro.
Para conhecer mais da cultura interiorana da cidade de Diamantina MG, talvez seja válido percorrer estas 240 páginas deste livro.