Satisfação

Satisfação e defender uma idéia por 4 anos na faculdade baseado em análises empíricas e ser corroborado postumamente pela leitura de um ilustre, porém desconhecido intelectual do pasado:

Segundo o regime escolar vigente em todos os países, sem exceção, a Universidade dedica-se ao ensino profissional superior, enquanto a “cultura geral” fica reservada ao ensino secundário, aos ginásios e aos liceus. Quer dizer: o ensino da cultura geral limita-se aos jovens de dez a dezoito anos. Depois, a “cultura” termina, e a medicina e a jurisprudência começam, sem nenhuma “cultura geral”. Os conhecimentos do ensino secundário empalidecem, naturalmente, com o tempo; mas ainda há coisa pior: todo esse ensino de “cultura geral” é feito ao alcance de jovens de dez a dezoito anos: a história, a filosofia, a literatura, amoldadas ad usum Delphini, e forçosamente puerilizadas. E aí fica. Nunca mais o jovem médico ou engenheiro ouve falar em história, filosofia, literatura, exceto pela imprensa ou pelo rádio, que se colocam ao alcance do espírito das grandes massas, pueris por natureza. Resultado: um espírito artificialmente preservado no estado pueril com uma formação profissional superposta. Conheço bem as numerosas exceções que felizmente existem. Mas, em geral, estas massas graduadas se distinguem dos iletrados somente por uma autoridade profissional que as torna menos úteis que perigosas. Ainda uma vez cito Ortega y Gasset: “La peculiarísima brutalidad y la agresiva estupidez con que se comporta un hombre, cuando sabe mucho de una cosa y ignora de raiz todas las demás” (O. c., p. 1291). Eles, porém, os iletrados, têm sempre razão, porque são muitos e ocupam um lugar de elite, esse “proletariado intelectual”, sem dinheiro ou com ele, isso não importa. Julgam tudo, e tudo deles depende. Lêem os livros e decidem sobre os sucessos de livraria, criticam os quadros e as exposições, aplaudem e vaiam no teatro e nos concertos, dirigem as correntes das idéias políticas, e tudo isto com a autoridade que o grau acadêmico lhes confere. Em suma, desempenham o papel de elite. São osnouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos; e nós sofremos as conseqüências, amargamente, cruelmente..”

Otto Maria Carpeaux

Djalmão do O Grito da FAPCOM

djalmao

O bacana da interneta é que se vc rouba  uma foto,  uma imagem de um blog, ou do orkut e a utiliza indevidamente na web ou  em um zine impresso de curta tiragem em outro estado, vc é pego mesmo assim. Achei graça dos meus fãs e alunos da FAPCOM que transformaram a ilustração deste brógui num personagem para seu zine: O Grito. Ao destribuir o mesmo pelos bares de Vila Mariana amigos meus paulistas reconheceram e imediatamente me enviaram o delito. Aos fãs da FAPCOM existe uma forma de remissão, mandem pra mim aqui em BH os próximos números da coluna do Djalmão personagem solucionador de problemas amorosos que agora passo a ilustrar e caracterizar.Mas interessante seria responder as perguntasdos leitores… Caracterizo uma espécie de Marcia Goldschimdtde zine de facú…rsrsrs

o-grito

SOU TEU

Quem sou eu? Seguidamente me dizem
Que saio da minha cela
Tão sereno, alegre e firme
Qual dono de um castelo.
Quem sou eu? Seguidamente me dizem
Que da maneira como falo aos guardas,
Tão livremente, com clareza
Parece que esteja mandando.
Sou mesmo o que os outros dizem de mim?
Ou sou apenas o que sei de mim mesmo?
Inquieto, saudoso, doente,
Como um passarinho na gaiola,
Sempre lutando por ar, como se sufocasse,
Faminto de cores, de flores, às vezes de pássaros.
Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Perante os homens um hipócrita?
E um covarde, miserável diante de mim?
Ou será que aquilo que em mim perdura,
Seja como um exército em derradeira fuga,
À vista da vitória já ganha?
Quem sou eu?
A própria pergunta nesta solidão,
De mim parece pretender zombar.
Quem quer que eu sempre seja,
Tu me conheces, oh, meu Deus,
SOU TEU.
Bonhoeffer, na prisão
(Extraído de um e-mail sobre episcopado de um amigo,  irmão e pastor)