Assiti ontem o filme ganhador da Palma de Ouro de 2008, Entre os muros da escola (2008), baseado no romance homônimo François Bégaudeau que também estrela como protagonistas deste filme.
Já que o post anterior também tratou sobre problemas da educação no Brasil, parece que este problema ocorre em nível mundial através do sistema de ” piaget” et comparsas… Então vejamos neste filme quais os análogos culturais da realidade. Com a premissa de um humanismo um tanto quanto babaca, as escolas enfrentam dificuldades em lidar com alunos que não enxergam sua devida posição, mas se interpretam como vítimas cheia de direitos, e sem qualquer dever a cumprir. De uma escola da periferia de Lyon na França à uma faculdade privada qualquer do Brasil, constatamos a seguinte postura: alunos que não compreendem sua situação de estudantes, e pedantes, questionam o tempo inteiro a pedagogia dos mestres de acordo com suas vontades, ou com o que lhes for mais cômodo, sem a menor pretensão de construir algum ambiente melhor para sua própria educação. Desta postura temos a evolução deste quadro através da agressividade e da violência por parte destes alunos contra seus mestres. Violência esta, que já fui vítima de coisas muito piores que as do professor do filme.
Mas qual o problema? O problema é que a educação se começa em casa, mas a maioria dos pais não concorda com isto, logo “empurra” este dever para escola.Então os alunos se abstém da simples formação de como se conviver em sociedade e de como respeitar os outros. Além disto a escola está infectada por esta ideologia educacional imbecil, que diz que os alunos são seres humanos iguais aos professores, até a parte dos seres humanos tudo bem, mas se esquecem que entre estes estes dois há um abismo de experiências, vivências e estudos, que por si só gera uma hierarquia. Além dos últimos (professores) na maioria das vezes saberem como conviver em sociedade (possuem educação familiar, bons modos, chame o que melhor entender), o que já não ocorre com a maioria dos primeiros(alunos) devido a abstenção dos pais. Ainda existe aqueles educadores que dada a ausência da formação familiar se vêem na obrigação de fazer o papel dos pais, o que aumenta ainda mais a confusão no processo educacional.
Igualando os dois entes, professor e alunos, todos ficam confusos e pensam que seus direitos são iguais, o que está completamente equivocado, pois cada um tem direitos diferentes como deveres diferentes, pois é óbvio que seus papéis são diferentes. Para piorar , os alunos adicionam aos seus direitos a regra de não ter deveres a cumprir. E o pior é que os professores confusos começam a acreditar nisto, então temos o grande desastroso processo deseducacional dos dias de hoje! Daí acontece justamente a trama do filme, alunos confusos que confundem ainda mais o professor que não se enxerga como mestre , mas muitas vezes como um pai, além de toda a violência consequente desta confusão:
Este livro de Pierluigi Piazzi foi escrito para adolescentes , mas penso ter muito proveito, se lido por todos. Contra toda a bobagem “construtivista” e “piagetista” que existe no meio “pedagógico brasileiro” atual, este livro demonstra bem o que é o processo de aprendizagem através da diferenciação entre o significado de aluno e o de estudante. O estudante é aquele que realiza o processo de estudos em uma rotina diária que compreende em : assistir aulas; depois realizar estudos para aprendizagem, compreensão e fixação; e por fim ter uma boa noite de sonos para memorização dos assuntos estudados. Muitos conceitos do livro estão baseados nos conhecimentos de redes neurais e na neuropedagogia adquiridos pelo Prof. Pier. O livro desmitifica conceitos como estudar = assistir aulas, e entender explicações =compreender realmente as questões nas aulas assistidas. Gostei muito do livro apesar de achar um pouco exagerada a posição do “políticamente correto”, mas geralmente esta postura é muito comum em livros destinados a este público infanto-juvenil. Existem outros volumes para os pais e para os professores, adquiri o módulo dedicado aos mestres e após -lê-lo compartilharei mais sobre as experiências adquiridas.
Mais o importante é que suas explicações fazem coro as minhas observações de 06 anos de docência. E percebo que o problema educacional é generalizado no Brasil, onde até eu confesso que fui vítima sendo muito pouco estudante e muito aluno na maioria das vezes, salvo na época do mestrado e posteriormente. Vejo também que quase a totalidade de meus alunos não foram e nem pretendem ser estudantes, com raríssimas excessões, o que me traz uma grande tristeza. E que a grande culpa é do sistema educacional brasileiro atual que com muita crítica ao sistema continuísta , engendrou uma grande máquina de produzir analfabetos funcionais.
Portanto indico aos amigos e leitores do blog a aquisição deste belo livro escrito pelo Prof. Luigi. Lembrando que ele é editado pela Editora Aleph.